25 de ago de 2013

À sua imagem

as linhas vibram fora de ordem de um
certo modo incomum
em que tudo se rearranja
melhor na película
fina dos seus olhos
pelos quais defino
as cores na curva calma
do seu seu sorriso
me dizendo
que sim
que talvez
que de repente
se daqui por diante
devemos ser
o que fomos antes
do se perde da luz
que se refrata
na sua forma contínua
e abstrata
à minha.

21 de ago de 2013

refluxo

A tradição do século tal
me disse que não deveria restringir
o subjetivismo ao teu gosto
que isso não tem forma nem nada
eu digo que é assim
que se volta
absolutamente
sem rumo nem cria
da rua daqui
e
foda-se
o meu nome que só consta
nos altos
da lista
dos devedores
que disfarçam com certo zelo
quando o último fôlego falta
e preferimos
beber como cães ao dizer
como seu cabelo brilha
na luz de uma manhã
que perdi
no canto de uma cama
mal feita
em que acordei
regurgitando
o reflexo daquilo que esqueci
de te dizer quando foi ao banheiro.

5 de ago de 2013

E mesmo assim

estou tentando esquecer
que 
quem sabe
ninguém saberá 
de nós
nem aqui nem após
de todo esse nosso nada
declaro 
a meia página virada
em que me separo
sempre um pouco 
                          mais atada.