O tal lance do poema
Depois do almoço
Guardar todo o esquema
Entre um caroço e outro
Da sobremesa
Pedir mais um pouco
Do suco
Pedir mais um criolo
louco na cerne
do sumo
Assistir TV
Pensar no filme
Evitar a vontade de ter
Pensar no filme
Evitar o gosto acre
Pensar no filme
Evitar o sólido desgaste
Pensar no filme
Arranhar o céu parado
Agarrar as horas
Fumar três maços de cigarro
Perder a demora
Perder a tarde
Perder o fim do dia
Perder o fim do bom senso
Ir embora
Dizer tchau
Chegar a porta
Acertar o plano
Em que tudo melhora
Mirar o degrau
E saber que não volta
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26 de mar. de 2017
23 de mar. de 2017
No meio da rua.
É um sopro no peito
Toda vez que
te vejo
ir
(o sinal há de abrir)
É a sombra dos sujeitos
silhuetas contornos
os passos a
te pedir
(o sinal há de abrir)
É a imagem do espelho
a linha do rosto
o passo torpe
a conduzir
(o sinal abriu)
O tombo
_ Amigo vem aqui,
não sei onde me volto
que não sei por onde
te perdi
_ Amigo eu caí,
não sei onde que encontros
a estrutura do escombros
daqui
_ Amigo eu abri,
a carne e os encontro
a criatura e seus
pontos frágeis
pra mim
(o sinal vai abrir)
Fica o passo além do
joelho
Fica o toque e tua
língua
que já não mais
entendo
Fica esse corpo
perdido
No asfalto
Casa, toalhas
e o assoalho
Fica chão, o gosto
que não te ata
(O sinal abriu)
Passa lá pra me ver
Concluir o que sobrou
de você
Ver na feição
o espelho fraco
o borrão
Passa lá pra te ser
Subjulgar minhas dores
dizer que não foi nada
pendurar o resto desta
morada
Passa lá que eu te espero
Passa lá que ainda falo
Passa lá que ainda quero
Passa lá que eu paro
⏭ Ouça
Toda vez que
te vejo
ir
(o sinal há de abrir)
É a sombra dos sujeitos
silhuetas contornos
os passos a
te pedir
(o sinal há de abrir)
É a imagem do espelho
a linha do rosto
o passo torpe
a conduzir
(o sinal abriu)
O tombo
_ Amigo vem aqui,
não sei onde me volto
que não sei por onde
te perdi
_ Amigo eu caí,
não sei onde que encontros
a estrutura do escombros
daqui
_ Amigo eu abri,
a carne e os encontro
a criatura e seus
pontos frágeis
pra mim
(o sinal vai abrir)
Fica o passo além do
joelho
Fica o toque e tua
língua
que já não mais
entendo
Fica esse corpo
perdido
No asfalto
Casa, toalhas
e o assoalho
Fica chão, o gosto
que não te ata
(O sinal abriu)
Passa lá pra me ver
Concluir o que sobrou
de você
Ver na feição
o espelho fraco
o borrão
Passa lá pra te ser
Subjulgar minhas dores
dizer que não foi nada
pendurar o resto desta
morada
Passa lá que eu te espero
Passa lá que ainda falo
Passa lá que ainda quero
Passa lá que eu paro
⏭ Ouça
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14 de fev. de 2017
Vamos beber Sakê?
À Scarlat Kobayashi
Na rua Galvão Bueno
exatamente naquele tom
de Depeche mode
Se desfez a moody
Cherry
da
pinga
do
Sr. Tanaka
are wa nan desu ka?
Isso ou o quê
brinde
da
Rua Augusta
Iboti
Tequila ainda vai bem
com
nada
Se ela estiver errada
pergunta
pra
Namorada
da mina.
Bomb
bamba.
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21 de jan. de 2017
Ensaio sobre o Bar do Cabral, Av. Antônio Carlos
Esses dias tive a sorte de encontrar um livro sobre a tradução da literatura por módicos 15 reais. O Sesc tem ajudado pessoas, o Sesc tem emprestado muita coisa a muitas pessoas.
Sempre é um parar para pensar naquilo que chamamos de "Literatura".
Abro espaço para às amadas etimologias ou o que seja:
Substantivo feminino, resumo.
Daí, do substantivo ao objeto: Livro; Daí, ao verbo: publicar; Daí ao ato: Editar.
Editar:
Dessa vez não me dou ao trabalho de utilizar as mídias, os livros, os conceitos:
MERCADO EDITORIAL
Penso no meu país, penso no bairro de classe média alta, penso no sebo e no rapaz, que ali trabalha, me dizendo:
_ Moça, eu só trabalho aqui. Qualquer coisa procure pelo: "Estante Virtual"
A experiência me remeteu a um episódio:
Um amigo de longa data me deu, acho que em 2007, toda Antologia poética do Manuel Bandeira, edição capa dura e escreveu uma linda dedicatória na qual dizia algo como:
"Se um dia brigármos e esse livro for parar num sebo, digo à esse leitor que aqui uma amizade se fez"
As palavras não eram exatamente essas, mas algo tão belo como.
_ A vida e seus percalços, suas perdas e danos, sua delicada arte de nos esbofetear com luvas de pelica na cara.
Essa amizade se desfez, mas a profecia da dedicatória não se cumprirá por três motivos:
1- O gesto foi lindo e quero guardá-lo independente de qualquer coisa;
2- Ele foi a pessoa mais responsável no mundo pelo meu amor à Literatura;
3- Um ser humano normal não se desfaz de um Manoel Bandeira completo por um desvio à toa de caminhos.
Lembro-me, antes de qualquer coisa, de sempre me lembrar de mim através dos versos de Manuel Bandeira, fato este que esta grande pessoa me chamou a atenção.
Certo dia eu, num daqueles ataques de querer dizer uma resposta a alguém através de versos, liguei para esse amigo num momento, quase sempre, impróprio , perguntando pelo título e ouvir:
_ Nega, joga no Google... [barulho de copos e confusão ao fundo]:
_ Acrescento que o horário era impróprio e que a ligação foi afetuosa, como de costume na época.
Agora não sei o que mais sou capaz de "jogar no Google", agora não sei o que mais o Estante Virtual pode deixar de ajudar, agora não sei mais o que dizer àquele balconista do sebo na Av. Adhemar de Barros no centro de São José dos Campos.
Acendo mais um cigarro, nunca com pose de hermética, nunca com pose de intelectualóide, sempre admitindo que não li o xerox do Walter Benjamin, que preferi tomar uma catuaba na porta do Cabral:
e que, ali, se fala de amor sem ABNT.
Sempre é um parar para pensar naquilo que chamamos de "Literatura".
Abro espaço para às amadas etimologias ou o que seja:
Substantivo feminino, resumo.
Daí, do substantivo ao objeto: Livro; Daí, ao verbo: publicar; Daí ao ato: Editar.
Editar:
Dessa vez não me dou ao trabalho de utilizar as mídias, os livros, os conceitos:
MERCADO EDITORIAL
Penso no meu país, penso no bairro de classe média alta, penso no sebo e no rapaz, que ali trabalha, me dizendo:
_ Moça, eu só trabalho aqui. Qualquer coisa procure pelo: "Estante Virtual"
A experiência me remeteu a um episódio:
Um amigo de longa data me deu, acho que em 2007, toda Antologia poética do Manuel Bandeira, edição capa dura e escreveu uma linda dedicatória na qual dizia algo como:
"Se um dia brigármos e esse livro for parar num sebo, digo à esse leitor que aqui uma amizade se fez"
As palavras não eram exatamente essas, mas algo tão belo como.
_ A vida e seus percalços, suas perdas e danos, sua delicada arte de nos esbofetear com luvas de pelica na cara.
Essa amizade se desfez, mas a profecia da dedicatória não se cumprirá por três motivos:
1- O gesto foi lindo e quero guardá-lo independente de qualquer coisa;
2- Ele foi a pessoa mais responsável no mundo pelo meu amor à Literatura;
3- Um ser humano normal não se desfaz de um Manoel Bandeira completo por um desvio à toa de caminhos.
Lembro-me, antes de qualquer coisa, de sempre me lembrar de mim através dos versos de Manuel Bandeira, fato este que esta grande pessoa me chamou a atenção.
Certo dia eu, num daqueles ataques de querer dizer uma resposta a alguém através de versos, liguei para esse amigo num momento, quase sempre, impróprio , perguntando pelo título e ouvir:
_ Nega, joga no Google... [barulho de copos e confusão ao fundo]:
_ Acrescento que o horário era impróprio e que a ligação foi afetuosa, como de costume na época.
Agora não sei o que mais sou capaz de "jogar no Google", agora não sei o que mais o Estante Virtual pode deixar de ajudar, agora não sei mais o que dizer àquele balconista do sebo na Av. Adhemar de Barros no centro de São José dos Campos.
Acendo mais um cigarro, nunca com pose de hermética, nunca com pose de intelectualóide, sempre admitindo que não li o xerox do Walter Benjamin, que preferi tomar uma catuaba na porta do Cabral:
e que, ali, se fala de amor sem ABNT.
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14 de jan. de 2017
Backstreetoys
À Bruno Brum
tenho certeza
que Bruno Nunca fez
bundalelê
na festa da empregada
tenho certeza
que Bruno Nunca fez
sertanejo
na formatura
da desejada
Carolina
que
preferia
Wannabe
ao
invés
do
Brian
quando
seu comparsa
passava
cola
na
prova
de
história
mas tenho certeza
que esse menino
nunca
ofereceu
vinho
pra Amanda
que
hoje
não
faz
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13 de jan. de 2017
Ensaio Sobre O Silêncio
Qualquer cor que a tua voz elucida chama a cor que reflete na pupila. A cor que não vê claramente, mas que busca nítida memória daquilo que nunca pode ter acontecido.
_ Hoje meu irmão invocou: silêncio.
Pensar silêncio é fazer um estardalhaço com a cabeça. Silêncio é som que invoca, silêncio é plutão chamando o ferro pra dentro de si.
Perceba que ninguém pode chamar a quietude sem se fazer inquieto. Berras silêncio e vem a imagem: Sol, campo calmo, Benjamin, um livro, gravuras, uma borboleta voando em 8.
Silêncio se lê. Silêncio página vazia pedindo os atritos atônicos - o espaço e o planeta, seus pensadores e a agonia, a morte e as preces, as preces e a resposta que espreme no peito e volta pra dizer "amém".
Silêncio é nada, silêncio é a carta da namorada que foi extraviada pelo carteiro que assobia no semáforo.
Silêncio é agora o que você poderia ouvir se eu quisesse calar.
⏩Ouça
_ Hoje meu irmão invocou: silêncio.
Pensar silêncio é fazer um estardalhaço com a cabeça. Silêncio é som que invoca, silêncio é plutão chamando o ferro pra dentro de si.
Perceba que ninguém pode chamar a quietude sem se fazer inquieto. Berras silêncio e vem a imagem: Sol, campo calmo, Benjamin, um livro, gravuras, uma borboleta voando em 8.
Silêncio se lê. Silêncio página vazia pedindo os atritos atônicos - o espaço e o planeta, seus pensadores e a agonia, a morte e as preces, as preces e a resposta que espreme no peito e volta pra dizer "amém".
Silêncio é nada, silêncio é a carta da namorada que foi extraviada pelo carteiro que assobia no semáforo.
Silêncio é agora o que você poderia ouvir se eu quisesse calar.
⏩Ouça
8 de dez. de 2015
repriso
e repriso _ Não por dentro corpo e suas dimensões, mas exatamente no meio dessa noite recortando sombras, esperando vozes quando o que essas mãos poderiam fazer é afiar as lâminas do resto das horas.
e repriso _ Não pelo suor que escorre o resto de pele, mas pelas unhas que arranham as dobras que me cobrem enquanto contorno marcas que nivelam o desespero, o tempo, a persistência depois daquilo que não ficou.
e repriso _ Não pelo chamado oco, mas pelas cordas que prosseguem tensas, o volume da minha respiração que assusta quando suspendo o próximo segundo antes de reprisar:
_ Não pelo grito, não pela rua, não por ninguém, mas pelo o que não pode ouvir através da porta que mantém o que seria e encerra em suas extremidades o que não quero responder:
repriso.
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11 de fev. de 2014
dentro dali
À Thaynara Faleiro Malta
a poeira acha o seu canto na secura do quarto que encerra trezentas possibilidades pra fora das portas que não revela absolutamente nenhum argumento de um mundo que se faz em setenta discussões paralelas de bilhões de dois olhos e uma boca e duas orelhas e escuta o telefone tocar sem chamar para efusão de hormônios na vibração divina das supercordas up down no estático seguimento do reflexo dos vidros dos carros batendo nas paredes brancas e aqui a suspensão de um mundo em vinte minutos antes do trabalho e todo seu expediente que quisera rastejar sem ser notado um dia de verão e um jeito meio lento de responder às nuances das classes e das coisas que elas se entopem pedindo cem toneladas de eletrônicos e lítios para durar o conforto de garantir que não deixou de ser chamado pelo nome e lembrado de dentro da rua que não sabe para onde vira e como se entra na atenção do outro não sendo possível cingir esse corpo com um amor curto e dois cigarros e o descontrole de encerrá-lo ao meio pois um dia há de acabar esse toque a boca que impede a secura do ar da palavra que dali falta a poeira é pele a falta pelo o quarto em alguns elementos fartos da única e enorme presença própria.
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29 de jan. de 2014
to the valley below
sempre estou mais para um café antes de me levantar e atender o pedido e ceder esse assento para a outra parte que impaciente me olha batendo os pés no assoalho oco desse chão que aquela moça andava de salto agulha. Mais um café e já disse que saio e te deixo discos, retratos e um pouco do que havia debaixo da minha pele:
retomo tudo quando mudarmos de forma
e essa senhora nada discreta
tomou o lugar que sempre teve
Quanto mais forte o café, mais forte o fumo
que servia para sentir suas unhas
no meu pulso
Foi com a voz trêmula que vi seu refrão que no estribilho
ainda escondia
a sua garganta cheia de ar
pouca diferença faz
pra quem só escuta o próprio nome
Mais um café pra quem não sabe mais o que responder
quando estamos assim tão calados
acertando despertadores
errando partidas
retomo tudo quando mudarmos de forma
e essa senhora nada discreta
tomou o lugar que sempre teve
Quanto mais forte o café, mais forte o fumo
que servia para sentir suas unhas
no meu pulso
Foi com a voz trêmula que vi seu refrão que no estribilho
ainda escondia
a sua garganta cheia de ar
pouca diferença faz
pra quem só escuta o próprio nome
Mais um café pra quem não sabe mais o que responder
quando estamos assim tão calados
acertando despertadores
errando partidas
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poetagem
25 de jan. de 2014
pela metade
tentava assistir um filme argentino
acho que vi algo parecido em ingles um dia
um taxi driver portenho
nao li o livro inteiro que ela me emprestou
acho que nao pretendo devolver
o que ela acreditou
que eu podia
concluir
amanha talvez eu nao faça nenhum mantra
nao defenda a classe oprimida
ja resolveram a falta linha
da riqueza paulistana
em algumas
gotas sublínguais
Já tentei remover todos os anúncios
maliciosos da minha janela
e só tenho paciencia para um beijo
e algum silencio
e eu querendo devolver com uma citaçao
em portugues
do filósofo
que nao me dei ao trabalho de ler
eu disse
eu nao leio
mas seguro bem as cigarrilhas
e sinto o gosto no fundo da colher
e faço preguiçosas massagens
cardíacas
dessa pessoa tao normal
nunca tratei de fotografar esta cidade
acredito que nao vivo num filme
acredito que nao há prostitutas nessa rua
vizinhos discretos e a cada ano
mudam de carro
(tres anos é o tempo máximo)
o seguro da tua conversa insólita
ninguém me garante
ainda vejo as árvores
nao reviso rimas
nao reconecto tuas linhas
que vieram dos teus dedos comidos
a divina secura na boca
vai chamar a última ligaçao
gravada insistentemente
sei das coisas do seu quarto
e tudo faz mais sentido
quando limpa os cinzeiros
e joga no fundo
essas olheiras de me ver
as pessoas morrem ou vao pra europa
as teias devem ser retiradas com uma vassoura
limpa
porque as paredes precisam
nao oferecerem nenhum ponto de fuga
que é pra eu olhar
e nao ver nada
te ligo mais uma vez
pego dois onibus
e volto
sem nunca devolver o livro
longe de fazer sentido
removo a conclusao
te ligo
no quarto toque
desisto
acho que vi algo parecido em ingles um dia
um taxi driver portenho
nao li o livro inteiro que ela me emprestou
acho que nao pretendo devolver
o que ela acreditou
que eu podia
concluir
amanha talvez eu nao faça nenhum mantra
nao defenda a classe oprimida
ja resolveram a falta linha
da riqueza paulistana
em algumas
gotas sublínguais
Já tentei remover todos os anúncios
maliciosos da minha janela
e só tenho paciencia para um beijo
e algum silencio
e eu querendo devolver com uma citaçao
em portugues
do filósofo
que nao me dei ao trabalho de ler
eu disse
eu nao leio
mas seguro bem as cigarrilhas
e sinto o gosto no fundo da colher
e faço preguiçosas massagens
cardíacas
dessa pessoa tao normal
nunca tratei de fotografar esta cidade
acredito que nao vivo num filme
acredito que nao há prostitutas nessa rua
vizinhos discretos e a cada ano
mudam de carro
(tres anos é o tempo máximo)
o seguro da tua conversa insólita
ninguém me garante
ainda vejo as árvores
nao reviso rimas
nao reconecto tuas linhas
que vieram dos teus dedos comidos
a divina secura na boca
vai chamar a última ligaçao
gravada insistentemente
sei das coisas do seu quarto
e tudo faz mais sentido
quando limpa os cinzeiros
e joga no fundo
essas olheiras de me ver
as pessoas morrem ou vao pra europa
as teias devem ser retiradas com uma vassoura
limpa
porque as paredes precisam
nao oferecerem nenhum ponto de fuga
que é pra eu olhar
e nao ver nada
te ligo mais uma vez
pego dois onibus
e volto
sem nunca devolver o livro
longe de fazer sentido
removo a conclusao
te ligo
no quarto toque
desisto
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10 de jan. de 2014
à tua porta
é aquele jeitinho especial de me destruir pelo bom senso quando julgava à luz de uma conclusao qualquer que hoje, talvez hoje o melhor que se pode fazer é o nada daqui pra frente. Me despeço com cuidado e cerimonias sabendo que amanha vou dizer alguma coisa entre os intervalos das notas e diria ao som delas que eu desejaria que nao fosse tao importante assim a ponto de me oferecer a mais profunda metafísica por uma mera crítica e que eu gostaria que nao arrancasse da minha boca finalmente quieta os tantos anos que tenho de vida e aqueles que espero sem voce antes de te ligar te pedindo o que esqueci de mim.
voce devolve, voce sempre devolve e eu caminho por aí com sacolas furadas.
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8 de jan. de 2014
caixinha de tempo
isso era pra ela
pra dizer que ela está aqui
isso era para aquela que está com dois pés e meio atrás de uma valsa de improviso e que nao aceita a conduçao líquida da acidez de um tango com estruturas exatas ela já está enquadrada nas raízes de moore que fez seu vestido mais apertado na regiao frontal dois sempre dois quando o café decanta mas ela nao vai esperar essa história inteira pois sabe que também andei socando essas palavras e quando eu tremer ela vai dormir porque se cansou desses nirvanas diários em que nao conseguiu se safar da claridade que desvia sua janela e ela vai andar por todos os cantos do quarto por onde ela entrou e os macacos pulam amanha e ela me manda uma fotografia sem a transfiguraçao de um sorriso encomendado ela fica melhor com a boca reta numa línha contínua de uma orelha que diz nao e a outra que diz talvez e ouve quieta
_ eu gosto de voce
ela vai rir ela vai rir muito ela vai mexer no porta-retratos e virar para si a imagem que diz
_ eu também
ela ouve e dorme tranquila - ela vai acordar e virar o ventilador porque de fato está muito quente
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em lugar de uma carta,
prosa-patética
31 de dez. de 2013
cartão transitório
uma ação nunca para depois da fotografia o som nunca termina depois da palavra o tempo nunca foi feito de pedra nós nunca fomos feito de ossos
moles
depois de três dias
na coca-cola
que comprou o
rio
úmido nunca
se disfarça no
suor da tua testa
nessa coisa toda
de amanha
moles
depois de três dias
na coca-cola
que comprou o
rio
úmido nunca
se disfarça no
suor da tua testa
nessa coisa toda
de amanha
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poetagem
23 de set. de 2013
Nas minhas palavras você sempre fica um dia a mais
e sempre temos o tempo o bastante para arquitetarmos a dinâmica do equilíbrio daquela história no plural balanceando o contrapeso do que te chama de volta: esqueceu de fechar aquela porta ao lado e quando me canso de te distrair, o sussurro dos carros te colocam pra fora do alcance do meu chamado te oferecendo meus braços soltos em meio a tanto ar por onde se propaga o seu novo nome dito de um modo particular: te digo o seus passos até a sombra de casa, canções ditas no seu ouvido quieto ao gosto exato do seu café familiar. Mas confundi a tonalidade da sua permanência, embaralhei os motivos para que ficasse um pouco mais e desordenei os segundos do teus silêncios e os olhos que percorrem maçanetas:
As chaves que te dei, perceba, abrem todas a mesma porta de qualquer casa que quisesse entrar.
Só esqueci se lembramos de acertar datas, detalhes, horários e a rota do seu retorno e se guardei bem a prata da casa antes de você acordar sorrateira da ressaca do meu toque.
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18 de mai. de 2012
monotemática
Onde eu me faço só Deus irá dizer. Onde eu me deixo: nas notícias de todos que não recebo mais, no esquecimento de uma tarde no que nunca disse naquele resto de hora em que estávamos ali. Hoje sou uma câmera de imagens que giram feito um caleidoscópio, diálogos recortados e remonto nas noites insones. Sou o pânico das manhãs nubladas, sou o que me deixo por aí e hoje não me olho tanto de frente.
Haverá dias que passaram tão rápidos, o eco dos tempos e sempre a mesma sensação que estou um pouco além do que deveria ser presenciado. Sou o capítulo que ninguém leu ainda, o rascunho de um presente que poucos se interessariam em ler, estou certa. Só não sei onde que foram parar os olhares que repriso nos intervalos das horas, as promessas que me fiz num dia qualquer, toda insolitude do que julgava por certo e que nunca veio, pelo menos não por agora e sempre.
Faz tempo que não ouço o som de determinados nomes, aquele som que se achava no bater certos dos ouvidos. Os filmes inacabados, os poucos objetos que me retém, as pontas dos dedos que tocam tão pouco a superfície do inerte presente. Já sei tão pouco do que sabia.
Qual é a tua cor favorita? É que não sei mais como perguntar e se questionarem do que tenho vivido, completo que de ar; Respiro e espero o próximo compasso dos tempos. Agora já não é mais o que era pra ser, mas do dourado se tiram o ouro, não o contrário, suspendo na mão os reflexos do que insiste em me acompanhar. E é para que seja o mínimo mais profundo do que resto de tudo e, neste exato momento, se me perguntarem da palavra "liberdade" apenas olharei muda para os meus sapatos no canto do cômodo, guardados displicentemente como quem se cansa um pouco de andar, como quem vai ao todo torto e contrário das regras de otimismo e não se sente tão amargurado dos revezes de algum tempo. O que me falta, o que me incompleta, o que me nega eu sei na palavra muda, o que não se altera eu sei na forma afetada do calendário que me repete por mais somatórias ilógicas.
Aqui estou novamente te dizendo que faz tempo que não ouço determinadas canções, mas que as canto todo santo dia, assobiando pelos cantos dos lábios qualquer gota da lembrança que me tragam espaços temporais mais fortuitos. A um passo atrás me lembro tão bem de determinadas expressões. Danço meu olhar aquém para trazer movimentos sincronizados, a certeza rígida de que tocarei as notas certas de cada articulação da minha voz para dar outra vez o velho chamado e apagar as contorções rígidas do acaso que me coloca tão longe de qualquer lugar. Apenas por agora e depois eu mudo de assunto.
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prosa-patética
14 de mai. de 2012
Dry Morning
O resquício de álcool que deve emanar pelas dobras da pele. Manhã fria, cheiro de café e alguma coisa que deve ter ficado pra trás. Sente o ar seco entrar pelas vias castigadas e olha pra fora num dia que ainda se pretende começar. Um calafrio e tudo se perde mais uma vez. Nunca foi dado à lamentos, mas lamenta sabe-se lá o quê nessa altura que a noite não encobre mais o transpôr de lençóis. Não se lembra em qual ponto deve ter parado, quando não soube mais onde é que estava realmente. Pensa que a vida há de ser assim como um caminho displicente que se anda sem olhar muito pra frente, se lembra da frase de Cacaso que dizia que felicidade era memória ou projeto.
A sala ainda escura, o que se esperar dentre conclusões insones. Mais uma carta que manda, mais palavras, mais à vida narrada.
Hoje não se diz muito sobre o que se passou. Não sabe mesurar o que se perde além do peso do próprio corpo, mas ele sabe que se lembra das coisas e de tudo que ainda não consegue deixar. Deixe, meu filho, que do tanto que viu, ainda há muita coisa que nem sequer pode vislumbrar, afora os carros lá fora e esse frio que sente. A música que escuta já não é mais em melodias e sim em acordes distintos e ouve a cacofonia desafinada. Lê numa correspondência qualquer um endereço que já desconhece. Pergunta-se onde vai chegar, mas o som não sai quando olha assim demais aquém das paredes que já não significam muita coisa. E quando foi que tudo perdeu essa linearidade de sentidos? Qualquer coisa diz algo, pensa, e se vai pelo dia que apenas começou e não se pensa mais em flores.
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em lugar de uma carta,
prosa-patética
13 de mai. de 2012
cena de bar
se ousasse dizer o que quer que diga: pediria pra ficar
como se diz pra eles que a permanência tem sido a pauta dos dias afônicos. como se diz que se quer ficar mas que essa estância ainda é oca, de quando surge quatro espaços pelos cantos
do que se fala? não pode ser só do tédio dos tempos, há de se haver os goles
tardes, vozes distantes que se agarre no intervalo da sua garganta
hoje qualquer um diz que não é feliz, como se fosse possível conservar o átimo de tempo em que se pode reter essa consciência.
hoje eu não digo muito das curvas que me perdi, mas gosto de ouvir sobre o caminho que evitei numa data qualquer, o dia que não me lembro, mas que ainda posso sonhar a respeito.
a máquina, o mundo, tudo vem dos canos dessa cidade e se perdem, todos eles, disse quase todos eles, pelos compromissos incertos.
te ofereço uma balada de blues, o tilintar de Ana, conversas soltas à la carte
eu fico por onde qualquer comentário se faz, e completo: nem tanto assim, mas. ande e continue,
presa às intervenções inesperadas,
uma virada de jazz
uma emoção de fim de tarde
o intervalo dos carros
um detalhe de Hopper, a mancha da sua camisa que confundi com a luz dos cachos presos à ideias, quase todas elas, aleatórias
Mais do que ficar, peço que se vá por aí de mãos atadas a você mesmo e volte para me dizer qual o teu paladar certo e repita o teu gosto íntimo.
eu ouço.
como se diz pra eles que a permanência tem sido a pauta dos dias afônicos. como se diz que se quer ficar mas que essa estância ainda é oca, de quando surge quatro espaços pelos cantos
do que se fala? não pode ser só do tédio dos tempos, há de se haver os goles
tardes, vozes distantes que se agarre no intervalo da sua garganta
hoje qualquer um diz que não é feliz, como se fosse possível conservar o átimo de tempo em que se pode reter essa consciência.
hoje eu não digo muito das curvas que me perdi, mas gosto de ouvir sobre o caminho que evitei numa data qualquer, o dia que não me lembro, mas que ainda posso sonhar a respeito.
a máquina, o mundo, tudo vem dos canos dessa cidade e se perdem, todos eles, disse quase todos eles, pelos compromissos incertos.
te ofereço uma balada de blues, o tilintar de Ana, conversas soltas à la carte
eu fico por onde qualquer comentário se faz, e completo: nem tanto assim, mas. ande e continue,
presa às intervenções inesperadas,
uma virada de jazz
uma emoção de fim de tarde
o intervalo dos carros
um detalhe de Hopper, a mancha da sua camisa que confundi com a luz dos cachos presos à ideias, quase todas elas, aleatórias
Mais do que ficar, peço que se vá por aí de mãos atadas a você mesmo e volte para me dizer qual o teu paladar certo e repita o teu gosto íntimo.
eu ouço.
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10 de mai. de 2012
O Canto de Varandas
a cidade esconde dentre montes
de sons e sonidos
a delicadeza de Sônia
que canta da varanda
como quem não é
e some, Sônia seus zumbidos
do peito que cantarola
do cheiro de lençóis limpos
um mero cantar
no entremeios
de motos e caminhões
que som tiver
foi o som que ninguém
afora seus tecidos
puderam seguir
feito ciranda despoluída
de quem passou
e ouviu:
de sons e sonidos
a delicadeza de Sônia
que canta da varanda
como quem não é
e some, Sônia seus zumbidos
do peito que cantarolado cheiro de lençóis limpos
um mero cantar
no entremeios
de motos e caminhões
que som tiver
foi o som que ninguém
afora seus tecidos
puderam seguir
feito ciranda despoluída
de quem passou
e ouviu:
lalariralá
5 de mai. de 2012
ruas tuas
quantas calçadas seriam necessárias contar para
assim, em passos e conversas se conhece e se deixa
estar, estar por estar, presente em cada ladrilho cada
um que se diz por novas vidas e novos dias dará
na próxima avenida, para no recomeço de rua
da ponta dos dedos já se saber o numa
próxima e inesperada palavra se diga
gargalhada solta,
solta-se da vida para ver outras vias
outros caminhos que se permitem
invadir apartamentos e os segredos
mais óbvios de que é e pode ser bom deixar
todos serem o que são
mas e o toque deixa para hoje
que se permitam abraços e rodopios
na avenida mais importante daquele outra
direção que me tomou pelas pontas dos dedos
e não me para trás
dá-me um pouco mais das sarjetas carnavalescas
dá-me um pouco mais disso que eu não quero e nem atrevo a desviar
e convergir para fora de mim
dá-me agora o que começamos a ser
e do meu corpo quieto o são
da minha cabeça
que não me atiro
na contramão.
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30 de abr. de 2012
à moda de nós
três expectativas no copo, dois cubos
suas explicações à la mode
suas asas de mariposa contra o vento sul
e a mim borboletas na transversal
dois assuntos, três medidas de petits rêves
o que exergas além da opinião esfumaçada
suas explicações à la mode
suas asas de mariposa contra o vento sul
e a mim borboletas na transversal
dois assuntos, três medidas de petits rêves
o que exergas além da opinião esfumaçada
Faça arcos com os seus sonhos
e brinque de coisa qualquer
aqui nunca é carnaval
Mais uma vez os bêbados estão certos
Mais uma vez o tédio desemborca os saltos
Mais uma vez uma língua estrangeira no nó
Da garganta que disfarce o desespero
quem nunca soube o que dizer
superman desconhecido
Incha os pulmões e fique quieto
Trincheira confortável de silêncio
Não dizemos nada, pague as contas
encerre o assunto e vamo-nos
aos tropeços, aos despeços.
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