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13 de fev. de 2024

Ballet de Cor

Ao Raphael Câmara

Ainda lembro
de tudo
do sorriso
da piada
do mundo
da Serra
do isqueiro
da fila
da fugida
no Casa
Antiga
do
Karaokê
da sua mãe
do seu carro
do por quê
de Cannes
do Relógio em
Santa Tereza
do copo deixado
com pressa
em cima da mesa
da testa
no sol
do Papa
do centro
do Galo
América
do que está
dentro
dos corredores
das
Letras
da biblioteca 
pouco frequentada
da ex-namorada
chata
das enroladas
do bolo
do domingo
perdido
da noite rápida
do silencioso
jogo de facas
das tantas
vacas magras

Agora vejo que em todas
moradas
você me cabe
você me é
afora o som
do teu rádio
afora o grito
adequado
você me faz
unissona
nas ondas
da nossa cidade
você me acerta
em meia dúzia de
verdade
você
não
termina
você
não
combina
em
desaparacer

Somos os que sempre voltamos
Somos o que sempre somos
somos três toneladas
de
sons

Linha contínua
que insiste
Luz retilínia
que incide

Voz que procede
Sede que cede
Corpo que pede
peso

Mão que nunca esquece

OUÇA

16 de mar. de 2017

Efeito de Somação

Não sei dizer
Quantas bolinhas
de decibeis
precisa fazer
Quantas bobeirinhas
precisa comer
Quantas diminutivos
precisa dizer coração
precisa acender o
fogão de rimas
quase
assim
de esquinas
da casa
da família
da voz
da manhã
do telefone
da fotografia

Prever
para
onde
os

olhos

repelem
onde
a

atenção fica
séria
onde o nome
se faz
estério
onde
o magnetismo
de faz
etéreo

Play

7 de mar. de 2017

Blank Blink.

à Caroline Drummond

a tela pisca pra ela
mas nada sai da testa
pois de a tela assim
falasse
baudelaire estaria
com Dante
que estaria
com Rousseau
Diante da barca
do nada

ela, às vezes,
fica parada
fuma seu cigarro
de palha
não pensa no
nome, não pensa
no bizarro
processo
não pensa
no poço 
infindo
de Bandeira
na mulher só
a carne e osso
na Estevão Pinto
mandando
neguim pra Cuba

ela não ouve políticas
so seu loro
so o som da piscina
so o miquinho
trepando proximo
a rua do
ouro

ela respira
lembra que e de
Touro
o café e um vinho
um cigarrinho
a retorno
ao
Porto

ela levanta
o mundo nao
mexe
inerte
irracível
imbecil
idiota
antes que apenas

desperte

OUVE SAPORRA

2 de mar. de 2017

Endema de Heineken

Passei a misturar
bolo com quebra
queixo
receita de vinho
com o me
deixo
no
seu nexo
sem o teu
jeito interdental
de me chamar
de
pseudo
intelectual
e hoje
não confundo
o nome
com a rota do
fumo
com pêssego
com esse
sôfrego
sinal
do Whats
que
se 
perdeu
quando
ia
dizer
mais uma vez
do signo
da estrela
do estribilho
do calo
no outro vacilo
de te perder
de sair correndo
de fazer clichê
cair no meio do
mercado
fazer drama
a comedia
do Senado
Quem e Marcela
se temos
hoje
essa miscelânia
que não
rima 
mais com
a janela
certa
a sua familia
o seu aquario
o seu som
o carro do otario
o problema
solucionado
a sua agua com gas
se sou capaz
de no fundo do meu pigarro
velho e amassado
te acordar
e dizer

_ bora fazer um bem casado depois desse
  meu cigarro?


OUÇA

20 de fev. de 2017

O Som Ao Teu Redor

Se e prosa, se meu teclado esta quebrando, como de fato esta e você sabe do meu problema em acentuar dessa forma tão linear. Penso na linha, penso em Gabriel Garcia Marquez e no som logico e enxuto.

Volto para dizer que tudo precisa fazer sentido, o palato e paladar que explora tao de perto.

Vi uma geminiana abraçando o escorpião, mas a se presta a continuar na ponta deste cigarro que repito como o esperanto de Marcos la de BH.

Não estou para categorizar sentidos de cores, mas de um modo competente e elegante não falo mais de politica.
Qual o sentimento universal, Doutora? O que nos faz parar pra ouvir a nossa propria voz? Qual sentido de se sentir pertencente na significação das tuas estrelas douradas?
Respondo que aqui não faço mais nada, que não falo de politica e que não penso em Inglês. Quero somente fazer algum sentido para alguem.
Não escrevo memorandos, não falo tanto de amor e não ser como quem, ouvido Black Eyed Peas pode entender o minimo de humanidades, um minino dos codigos que chamamos de Linguagem Universal.
Do universo sei pouco tambem, mas a poeira se suspende no ar, como a pequena gama de tudo ainda que podemos falar.
Reticências e continua nesta lembrança. Calo. Respiro. E antes que me esqueça, aqui esta o doce de leite e um pouco de um riso natural que vai bem com um cha gelado e uma pitada de mim.

OUÇA

19 de fev. de 2017

De domingo pra Segunda pra Ninguém

copia e 
cola
o poema

faz como a central
de futebol

Rock é um
ritmo
que
envolve
a sua opinião

Não vem que não tem
a orelha
pra esganar
o sentido
pra puxar pelo ritmo
da
bosta

Ótimo pra fazer o fim

do Fantástico

Na central
desse retrato

tira selfie
faz uma de S. Bebastião

pensa no que é tenso

essa merda
essa
correção ortográfica
do teu 
teclado
que sua
a pardo
que não faz
amém.

6 de fev. de 2017

Oxum em Yemanjá

A vida é um sonho
torto
do qual os 

mundos
não
se 
separam
derramam
se colidem
se
encaram

Sou apenas
essa palavra
morta
posta
na
mesa
de
jantar

Amiga esteja
onde Oxalá
queira
trincar
a testa
ou o
mar

Sou assunto
encerrado
no
jeito
de
falar

23 de jan. de 2017

into the wild inner inside

o ritual
é de
dentro
o ritual
segue

ossos
olhos
ovários
pés
dentro
do
ballet

o movimento
precede
a dança
e cansa o

equilíbrio
em
colapso
diz
entre
os
espaços

anda por 
dentre
as mãos
agarra
a

outra forma de
ser
e
talvez
o

instinto
de
se
falar
de
si
pro
outro
a
dor
é
continuação

21 de jan. de 2017

Dani de Leão amiga dos Aquários

Sempre existe uma forma
de circundar espaços
de se fazer fêmea
de cuidar
de olhar vênus
de deixar ir 
sabendo onde
e que vai voltar

há vinhos
in vino veritas
digo
coberta
que há uma
estranha mística
nesse nosso modo
obviamente cínico
de cuidar:

Deixa-se ir
anda por dentre savanas
e volta para se voltar

Ouça "Nina Simone"
Sinta o que é
uma nota
adocicada
em se sentir bem

Faz-se ouvir 
A Case of You
e entenda-se:

Nunca é demais
mais um gole
mais um toque
mais uma água
de bagagem.


Ouça

Ensaio sobre o Bar do Cabral, Av. Antônio Carlos

Esses dias tive a sorte de encontrar um livro sobre a tradução da literatura por módicos 15 reais. O Sesc tem ajudado pessoas, o Sesc tem emprestado muita coisa a muitas pessoas.
Sempre é um parar para pensar naquilo que chamamos de "Literatura". 
Abro espaço para às amadas etimologias ou o que seja:





Substantivo feminino, resumo.


Daí, do substantivo ao objeto: Livro; Daí, ao verbo: publicar; Daí ao ato: Editar.


Editar:


Dessa vez não me dou ao trabalho de utilizar as mídias, os livros, os conceitos:

MERCADO EDITORIAL

Penso no meu país, penso no bairro de classe média alta, penso no sebo e no rapaz, que ali trabalha, me dizendo:

_ Moça, eu só trabalho aqui. Qualquer coisa procure pelo: "Estante Virtual" 

A experiência me remeteu a um episódio:

Um amigo de longa data me deu, acho que em 2007, toda Antologia poética do Manuel Bandeira, edição capa dura e escreveu uma linda dedicatória na qual dizia algo como: 

"Se um dia brigármos e esse livro for parar num sebo, digo à esse leitor que aqui uma amizade se fez"

As palavras não eram exatamente essas, mas algo tão belo como.

_ A vida e seus percalços, suas perdas e danos, sua delicada arte de nos esbofetear com luvas de pelica na cara.

Essa amizade se desfez, mas a profecia da dedicatória não se cumprirá por três motivos:

1- O gesto foi lindo e quero guardá-lo independente de qualquer coisa;
2- Ele foi a pessoa mais responsável no mundo pelo meu amor à Literatura;
3- Um ser humano normal não se desfaz de um Manoel Bandeira completo por um desvio à toa de caminhos.


Lembro-me, antes de qualquer coisa, de sempre me lembrar de mim através dos versos de Manuel Bandeira, fato este que esta grande pessoa me chamou a atenção.


Certo dia eu, num daqueles ataques de querer dizer uma resposta a alguém através de versos, liguei para esse amigo num momento, quase sempre, impróprio , perguntando pelo título e ouvir:


_ Nega, joga no Google... [barulho de copos e confusão ao fundo]:



_ Acrescento que o horário era impróprio e que a ligação foi afetuosa, como de costume na época.

Agora não sei o que mais sou capaz de "jogar no Google", agora não sei o que mais o Estante Virtual pode deixar de ajudar, agora não sei mais o que dizer àquele balconista do sebo na Av. Adhemar de Barros no centro de São José dos Campos.

Acendo mais um cigarro, nunca com pose de hermética, nunca com pose de intelectualóide, sempre admitindo que não li o xerox do Walter Benjamin, que preferi tomar uma catuaba na porta do Cabral:




e que, ali, se fala de amor sem ABNT.


18 de jan. de 2017

Good breathing

The question is never: why
The answer is never: when
The manner is never: how

The place in my head is her
is the graceful silence
is the simile
in the 
deep
of my mind

Understanding is never the question
The time is a matter of crying
hard
in the backstage
of her
distant
hiss

I miss the touch
I miss 
so much
what is a sober
goodbye

Alone in the deeper
light
her
sound
is
a
beat
her
breath
inner my mouth

16 de jan. de 2017

thirty three plus one

um dia vão me perguntar quem o quê foi o que chamamos de

primeiro amor

Sempre vou pensar e sempre vou saber

Mas isso a gente não precisa saber, mas isso a gente transcorre no decorrer de uma música, quando nos damos conta de que temos 33 anos e que houve e há uma pessoa que sempre te conheceu, que te estendeu a mão, que te disse: você é bonita como é.

Não há nada numa supernova que diga o contrário, não há lágrimas que diga o contrário: hoje estou feliz por tudo que um dia conseguimos ser, por tudo que conseguimos dizer, pelas músicas, pelas cartas, pelo Shakespeare.

Remédios na prateleira e um sorriso no fim da garganta - we're old souls, so old, so tired, so hopeful and one day we could say: I see you as the same.

Usar uma outra língua pra decodificar tudo o que seríamos no futuro: três países, quatro pais e um olhar numa estação de metrô: seja feliz sempre que sempre serei feliz pelo o que você me fez ser.

Assim se perdoa, assim um espírito embriagado do passado se renova.

Um dia você tem treze anos, no outro trinta e três e matemática nenhuma, linha nenhuma de nazca,

apaga.


15 de jan. de 2017

Chiado de Peito

O touro quando jaz
No sofá 


quente
Se refaz
Toma café
Com dentes

Carangueijinho
Bicho que anda
A recuar

Faz versos faz
Lentes
No peito
Sabiamente
Mastiga
Três sementes
Da pulseira
Se jacarandá

Se vale o que
Respira
Se fuma o que
Não deve
Um tabaco
E retira
O nome
Da flor
De
Maracujá

Mas diz, Pessoa
Das cartas
Do ridículo
Do início
Eapantada
Da tua pedra
Das quadras
Do teu cantar

Hoje ando por
Entre
Veredas
Ponta
Do
Fim
Pontas esquerdas
Os pés pra nunca te
Acordar
De mim


Família Figueiredo

Do latim
Figueira
Daqueles
que
não estão nem aí em ferir

Daqueles que se incomodam
com o delicado

cigarro
aquele 
que 
fala
na
cara

"Pega tuas coisas e vai embora"

Família generosa na delicada arte

de baforar
na
tua cara

Cavalos Selvagens
que manda plantar

Sem inchada

Família
que
ri
da
tua
fala

Censura o almoço cristão
taca água
na
planta

Lê a bíblia ao contrário
e te oferece

Um dicionário.


14 de jan. de 2017

No Subject

De: Usuário usuário@dominio.com.qualquer

Para: Outro usuário outrousuário@dominio.com.qualqueroutro

Data: Ontem

Assunto: (sem assunto)

Postado por: domínio.com.qualquer
“Ya somos en la tumba las dos fechas
 del principio y el término, la caja,
 la obscena corrupción y la mortaja,
 los triunfos de la muerte y las endechas.

 No soy el insensato que se aferra
 al mágico sonido de su nombre;
 pienso con esperanza en aquel hombre”

                                (Jorge Luis Borges)


Suspeito agora o espanto com que receberia essa mensagem. Mais espanto ainda seria me imaginar aqui, a essa altura em que nada acontece, tentando acompanhar a velocidade com que tudo me deixa pra trás – havia um tempo em que eu parava para observar, mas hoje eu paro: parei quando a caneta ia pra frente e pra trás como uma espécie de psicografia de um eletro encefalograma: a precisão me escapa em reflexos de um outro que foi preenchendo insuspeitadamente os meus movimentos, os meus humores, os meus bons dias que mastiguei no fundo da língua frouxa que bate e volta no céu da boca enquanto ofendo vizinhos e espanto os zumbidos agudos de crianças que rasgam o que ainda insiste ouvir. Entenda, O., agora não quero ouvir mais nada pois não há som que chame aquele que estava aqui antes deste outro chegar. Se me pedem licença não pedem para esse que nestas linhas parece falar, educadamente ou não, eles se dirigem a alguém que teimou em aparecer no último ato – Ato: deixe-me dizer do que não acontece ao fim dele. Já devo ter mencionado algo algum dia das coisas que não acontecem, de ausências, de insolitudes, do movimento que não se realiza, do corpo no fundo de uma cama, de um rosto no fim da memória: Era o meu que outrora você havia reconhecido como quem entra numa casa vazia e faz erguer a poeira de peles e toques de corpos que já se perceberam e com força violentaram o encontro.

E hoje eu não te encontro mais.


Então, os finais de semana costumavam ser piores. Eu poderia te encontrar em todas as esquinas da cidade, eu poderia te encontrar num posto de gasolina antes da nossa viagem, numa farmácia para alguma coisa acabar com a nossa ressaca, num restaurante mais caro quando você tomava a frente para pagar o meu almoço e eu, com uma espécie de falta de graça esperada, te dizia que pagaria depois: eu nunca pagava e você coagia com essa forma de me livrar do embaraço de depender de você, eu dependia do modo como você me carregava pela cidade, eu dependia do seu sorriso quando de longe nos víamos e você e seus filhos e seus vizinhos e seus empregados e seus tios seus atos insuspeitos sua carreira seu casamento sua verdade que todos sabiam debaixo dos olhares a mim: eu era a verdade, a carta interceptada, o telefonema grampeado, a sua biografia não autorizada, as conversas baixas nos cantos dos bares, o deleite da confirmação mútua dos fuxicos dos teus colegas de trabalho, a insônia da tua família, as desculpas tortas do teu sumiço. Se quebrassem o teu silêncio ouviriam o meu nome que chamaria num sonho agitado debaixo da tua língua que, mais cedo ou mais tarde, iria te denunciar no ato falho de um café da manhã:

“Hoje eu sonhei comigo e eu estava só. Havia você me garantindo uma samambaia na nossa varanda, balanço de rede, a mão suja da terra da nossa horta, o beijo na testa dorme tranqüilo meu bem e sonhava com a gente e ali você preocupada com os seus filhos que eram seus pais e eu falava com você e você olhava abruptamente para o outro lado da rua de uma cidade do leste europeu dessas que a gente nunca imagina estar como Budapeste Bucareste Bratislava e ninguém entendia o que eu falava: reclamava o seu nome que já não era o mesmo naquele idioma tão longe de ser romeno inglês húngaro latim provavelmente alemão que também não sei falar e via a cor da tua blusa vermelha pelos monumentos bege e você sempre estava de costas atravessando a rua para onde tinha olhado e por mais que eu rodasse a cidade, que agora era aquela que eu crescera, eu voltava para a calçada que você deixava com a sua blusa amarela e o teu rosto que não era teu, era meu e acordava assustada fitando o teto, um buraco perto do bucal da lâmpada, uma mancha atrás da porta e as coisas exatamente como as tinham deixado antes de dormir: sapato virado, toalha na porta do armário e assim, antes mesmo da luz invadir o quarto, eu ia decodificando meus passos antes de ir para a cama e alguma coisa me diria que você esteve lá sem deixar sinais no desarrumado que a presença faz. O sonho que esqueço na pia antes do café.”

Há um grande equívoco no que se entende por vida, O., e você, mais do que ninguém, entenderá do que falo neste momento. O que seria falar de vida para a gente que só morre? A vida não é o estado em que a gente se mexe inspira expira fala engole pisca treme dói força geme estrala expande retrai dobra recolhe. A vida, O., é o som do teu nome letra voz ar que eu vibro no teu ouvido: eu você e precisamente agora e ontem e antes e tudo: nós quando você só vive se eu te chamar na marca do cigarro que você fuma, no caminho que você faz todo laico dia, no livro de receitas guardado na última gaveta de onde tirávamos o gosto latente dos nossos jantares, no rótulo do vinho de concessões às verdades que sai da boca tinta vinagre acre no pesar do que se lembra no dia seguinte, nos convites que você atende: O. e Família e eu te esperando voltar.


Hoje pela manhã esqueci um detalhe do teu rosto e agora eu começo a falar da morte.

Ouça

Backstreetoys

À Bruno Brum

tenho certeza
que Bruno Nunca fez
bundalelê
na festa da empregada

tenho certeza
que Bruno Nunca fez
sertanejo
na formatura
da desejada
Carolina
que
preferia
Wannabe
ao 
invés
do
Brian
quando
seu comparsa
passava
cola
na
prova
de
história

mas tenho certeza
que esse menino
nunca
ofereceu
vinho
pra Amanda
que
hoje
não
faz
nada
além de gorar
a empregada.

Ouça

Soneto da Pilota de Helicóptero

Demora pra saber o quanto você demora a minha história
Demora pra saber em quanto tempo você desce e fica
Demora pra saber o sobrenome da minha memória
Demora pra saber o quanto você desafia

Demora pra se aconchegar na hélice giratória
Demora pra se adentrar riso que duplica
Demora pra saber o raio da estatística
Demora pra calcular o número e codifica

O que é para pousar no que irradia
O que é para negar posto Guernica
O que é Irlanda ou a Austrália

Quando é pra passar arnica
Quando é pra tocar guitarra
Quando é pra fazer despedica



11 de jan. de 2017

Camisa de Poliéster

pra você restou 
o retrato
camisa florida
algodão de mal trato

restou o olhar que 
cala
restou
a mala
no metrô
da linha amarela

pra você restou
a boca que estala
pra mim restou
o fim da fala
o o resto da noite
que iguala
a língua
nata da vontade de te abraçar
aquela outra vez. 

Ouça

10 de jan. de 2017

Sucinta Gramática

Ao Leo 

Dos espaços que chorei
nem lembro o nome
tudo aquilo que quis fazer
tudo aquilo que se diz pronome
continuou fez bruto homem e se foi para além do 


signos
lua
aquário
uma
singela

anotação que deixo numa página de um Bandeira
Nunca fomos ateus
Nunca citamos poemas
Nunca mais adeus
nunca mais pelo nome

Desejo Al Berto os neóns
Desejo Portugal e as luzes simétricas
Desejo caravelas
Desejo sentimentos
Desejo faltas
Desejo um jogo de facas


Desejo a China
o inteiro
bueiro

Pago à vista ou no

DINHEIRO

Hoje penhoro a cor
dele
Nome?
está tudo
azul em torno dele

Maninho, não é que é Janeiro?
As estações o Rio
o estrangeiro

Albert Camus
a peste
a náusea
a draga

Nome?
Sou eu inteira
Favor de carta marcada
no fim do isqueiro
a desfamosa
a escandalosa
a preguiçosa
a
que
não
sabe
a
lua
em
nada

Perdes um amigo e tens um cão
Perdes um Drummond
Perdes um Carlos
Perdes um bocado

Só não perde o que valeu
Só não perde o beijo da tua amiga
para sempre

nega.


Ouça

9 de jan. de 2017

Religião Não se Discute

Ogum termina na vogal "Hum"
mas quando chegou o Bolso
não

cita: nomes

Corre pro mar
corre pra areia só não pode lembrar

Que é Lua

CHEIA

Índio protege
Índio quer pagar
Índio foge pra todo 


lugar