8 de nov. de 2010

Zeitgeist.

_ na rua do catete L. disse que finalmente conseguiu passar no exame de direção e decidiu há pouco que irá até angra sozinha: cabelos ao vento no seu pálio 98 ouvindo alguma balada de refrões óbvios e explosivos no próximo sábado ensolarado.

_ S. avistou uma borboleta campestre em plena rebouças ao claro das 17:56. respirou fundo e forjou um cheiro de azaléias do jardim de sua avó que quase nunca viu. resolveu deixar a noite augusta de lado para ler sartre no parque da luz no domingo.

_ R. pensou em alguma poesia enquanto descia a rua da bahia e quando pisou na afonso penna descobriu que a rima estava bem debaixo daquela sombra projetada às 15:28 pelas árvores do parque municipal.

É tempo de verão e o que poucos notaram foi que subiram um tom no jingle da coca-cola entre os intervalos da novela de noites abafadas.

31 de out. de 2010

Bolero de Ariadne

ainda pensei no fluxo de voltar como se eu nunca tivesse ido, mas o que me negava era com sorriso de alívio. engoli todo o caminho que devolvi no vaso de porcelana rachado e, enquanto ainda respirava, prometi a mim mesma não repetir a dose. foi o tempo de me recompor, de achar alguma finura no gesto de recusar o último gole, de mexer no fundo do copo três cubos de medo com as pontas dos dedos dormentes. foi só esse o tempo de saber que o giro termina sempre no mesmo lugar e que vou cair (ah vou) no meio do salão: solta.


31 de jan. de 2010

Opus Dei

Dei a César o que é de César
Mas César queria mais
Dei a César tudo que é de César
Mas César queria tudo e mais
Dei a César tudo que é e não é de César
Mas César queria tudo que é e não é e mais
Dei a César tudo que não queria dar e que era e não de César
Mas César queria Deus

Dei a César Adeus

E depois
não
escutei
Mais

O que é que aquele queria.

22 de jan. de 2010

Finda Camada de Van Gogh

cante alguma canção de ir embora
e diga que será amigo
até o fim
do primeiro desvio,
na última curva do s



17 de jan. de 2010

Movimentos

Conflitos ideológicos com sol na casa 3 e lua na casa 4
Desenvoltura comunicativa com mercúrio em gêmeos
Jornal do meio sol na casa 1
Bate boca na esquina em júpiter em sextil com mercúrio natal
Ramones em sagitário e
sonatas de piano contemporâneo com recuo de marte
Catequese na era de peixes
Telefone fora do gancho no retorno de saturno
Clausura cancerígena

O próximo arrependimento virá antes do derramamento de aquário]

Tempo de chuvas
Finda as águas
para nos agarrarmos
com pinças
a estiagem morna
no meridiano sul
latitude e longitude
das paredes do quarto

Floragem de vênus em vertex para terra
deslocando-se para qualquer
uma
das dozes casas:

Eixo eólico rotativo.

Em São Paulo, tempo bom para quem pretende
viajar para fora do Estado.




9 de jan. de 2010

borboletinha da capital.

angelita compôs a introdução
no bandolim
escolheu entre dois refrões
um que falava de
botânica
libertária
e outro de
amor
romântico
mandou o e-mail passionnée
para papillon da banda cover
insectusuicide
tomou banho com óleo de nectar
natura da vizinha
e foi trabalhar no atendimento
produto: redinhas
na volta ainda pensou
em bordar no jeans
sobre a mancha da caneta
uma ópera rock 90's
pra abafar o som
histerifônico
das mariposas industriais
no transporte público
algumas apostilas
aspirada a planar alta
no concurso público
da monarca
e ter em qualquer jardim
uma mosaicultura
e colocar na merenda da segunda
e última crisálida
um ensopatinho de margaridas
pra depois costurar
o paraquedas em seda forte

baixio d'aquelas mesmas.

lá pelas 23:50
naquele bar
do outro lado da
breja augusta
entre 3 assuntos
à gosto
vi minha vênus atravessando
o cruzamento
na caruda
como se ninguém tivesse
notado
o salto
entre as casas
e foi se atracar
com uma leoniña
depois de gorfar
na casa de uma ascendente
a virgem.

véxi,

saí fora antes que o metrô fechasse.

28 de dez. de 2009

Pensamentos Rápidos

que se transformarão em algo que não quis dizer

A Leonardo Arruda


como ele sacou com conlusões mais rápidas ainda: gente sagaz com um arzinho de nada. Ele me disse que isso vai cansar e eu respondendo que esse é o meu propósito defendendo qualquer resquício de película de lirismo nos cantos dos olhos e um hálito de manacás dormidos. Não! Não é choque fácil que eu quero nem é ele que se choca fácil demais, sei lá o que é. Eu sei, mas não vou dizer pra não ficar com a bufadinha destinada ao saco de toda impaciência do universo. Não me maqueio, por isso olho pouco no espelho e quando estou sóbria demais poucas coisas fazem sentido. Melhor continuar no limiar do penúltimo piscar de olhares e línguas enroladas quando tudo a se fazer é só. Mas vou continuar falando assim. Angústia é palavra presa, né Ana? É sim. Freud andou dizendo que os 365 presentes é falta dentro do corpo. No espírito, não no santo, naquele maculado pelo tocar-se que afaga afaga afaga fricciona fricciona fricciona machuca machuca machuca e coça coça coça e se esquece quando no outro lado das minhas costas americanas desponta o comichão central que, por sua vez, se eriça para a ponta das unhas comidas feito serrinha de grade : pego uma caneta e vou aliviando a gritinhos e tremeliques; e digo "se emocione também com este meu alívio de cotonete" - não, ele está passando hidratante natural a base de figo português, árvore forte d'aonde deriva o nome que corto ao meio. Nome problemático. Queria mesmo que fosse Monteiro de Figos, coisa amachucada e muito doce, mas tudo insiste em se derivar, até as reprimendas. Mamãe é de Portugal, papai, claro, da Espanha e eu sou dos mouros: cabelo persa e confuso, sobrancelha grave e uma espada dorsal curvada: oxalá, empurrando o pé da montanha qualquer lugar a um Estado de casa! Pois ainda por baixo sou de água para o fogo! Olhei o desenho e pensei: Se fosse fogo mesmo mais pareceria uma Mula sem cabeça. Coisa mais absurda, gente. Coisa sem caber em lugar nenhum nesse mundo com tanta gente acordada ao mesmo tempo e ele acorda tão cedo. Mas sinto sono e é melhor dizer que eu só queria que, nesse corpo de palavras, houvesse uma tatuagem de flor pra ficar mais bonito e se ele não me disser que isso seca, nós não secamos.

24 de dez. de 2009

SMS PARA CALIXTO II.

Enquanto o teu
poema
perde a levada
McCartney,
eles reverberam
na sala de
Starrrrrrrrrrrrr:
Good night, sleep tight

22 de dez. de 2009

SMS PARA O RH

Se conseguisse
eu quebrava
perna,
braço,
bacia
baço,
só para colocar no atestado que
realmente dói,
mas só posso provar aquilo que,
embora em menor intensidade,
permanece.

15 de dez. de 2009

SMS VIA BLUETOOTH.

Meu motor tem 1 cavalo
de olhos bem abertos
e assustados;
com dentes.

11 de dez. de 2009

sonífera.

soo a sono sem
sossego
suo a sonsa
sonolência
solto à sombra do
solstício
seu sôfrego batuque tropical.

7 de dez. de 2009

SMS PARA CALIXTO.

Seu sol resolveu
aparecer
nos meus fones de ouvido.
[space]
and I say it's all right.

25 de nov. de 2009

Apresentação (da sinopse).

ou Monólogo no Espaço da Suspensão


eu preciso escrever. notei isso quando aqueles dois disseram que precisavam ir ao banheiro. imagine! dois marmanjos indo ao banheiro juntos! ouço os mais [abre aspas] descolados [fecha aspas] dizendo: e o que é que tem? não tem nada, eu ousaria. fora o fato deles trocarem piadas o tempo todo pelejando a testosterona que lateja nalgum lugar que incomoda tanto. eles se acusam e molestam o limiar frágil do que deve ou não render-lhes algum prazer na vida. prazer estranho aquele de coçar dentro da orelha sabe-se lá o que descame. coisa sádica essa de enfiar as unhas arrancando pele solta de sobra do toque que lhes faltam, e falta o bom senso: a felicidade mais possível é mera questão de tato. toquem depois de lavarem as mãos de onde querem ir, mas voltem. foram na altura do discurso quando absolutamente todos estavam ofendidos, ao menos tiveram o cuidado de se justificarem antes de se levantarem, como disse, juntos. malditos! eu não os acusavam! delicadamente pedem licença e vão ao banheiro contra todo e qualquer pedido plausível: fiquem que eu paro! mas a bexiga uma hora estoura. e com quem eu falo? estou testando a resposta do universo nos senhores: esse saco há de aguentar pela conclusão que pode me conter, senão estouro eu que estava com vocês o tempo todo até o momento da defesa fácil: "vá saber, né?!" - sempre é bom dois pés atrás. se tiraram todos da reta e passei sozinha. nem notaram que eu falava de mim e que queria palco montado, não a cortina escancarada. eu queria que vissem além da margem do filme preto & branco, não o microfone no cantinho ignorado. eu queria que me perdoassem a falta do estilo alexandrino. e responderam em dissílabo evidente. "Tá bom", deixei no recado.

21 de nov. de 2009

Sinopse.

ou Metaverborreia Retórica Ressaqueada Por Extenso.


Ela pensou que precisava escrever. Devia ser por isso esses olhares nos corredores trabalhistas. Devia ser isso os tantos bocejos escancarados feito leão-mgm-metro-goldwyn-mayer: e a história que ela começou nem era do começo. Devia ser por isso que eles se levantaram para ir ao banheiro JUNTOS sem o mínimo pudor, sem o medo da bichice convencionada. Devia ser a ausência da vírgula entre verdades concluídas com a rapidez de uma frase sendo formada entre o abrir e o fechar da boca e sim! É assim mesmo, gente. Entendam que ela descobriu a verdade do mundo agorinha mesmo - premiados sejam! Escrevam cada coisa que ela disser, andem, escrevam ou então tomem remédios pra memória, dizem que peixe é bom pra isso, peixe centrum vitaminas de A a Zureta girando descarga abaixo. Mas retenham isso tudo, anotem na palma das mãos com tinta indelével, ou melhor, tatuem na testa em desenho japonês, nanquim de cadeeiro, tinta de caneta bic que nem a Cristiane F. Marquem absolutamente tudo o que ela está dizendo. Façam exercícios de meditação para que possam envelhecer com a cabeça boa pois vocês se lembrarão de cada palavra que ela disse nesse quarto de hora. Vocês vão precisar disso. Vão! E precisam, por favor, entender que o "eu posso estar errada" deve ser totalmente ignorado e que ela ainda deve cumprir com esses protocolos de humildade pra não ser chata ou presunçosa, entendam que ela tem completo horror só de pensar seu nome descendo e subindo nesses elevadores em que a sua voz tão alta se disfarça no exato 5º andar e a porta revela um diminuto "pedante" - pedante?! pe-dan-te?! Não! não venham com essa que ela manda todo mundo se fuder e todos hão de achar um convite razoável já que absolutamente todas as suas gias vieram pela mesma janela em que você se encostava para verificar se deveria vestir um casaco ou um traje de banho nesses trópicos capricornianos. Mas ela já havia decidido por eles: hoje há de chover! Olhem as nuvens, sintam o cheiro do asfalto quente sendo resfriado, observem o comportamento das moscas que já voam com as asas receosas: melhor se abrigarem na sua garganta incessante pois ali é cárcere semi-aberto. Ela está falando, escute, escutou? Ela está falando sobre o fato de você escutar e sobre se perceber cada palavra entrando entre as brechas dos fones siliconados. Deve ser por isso que ela sempre tem essas metalinguagens tão originais, imaginem só! Ela é discípula de Machadinho (há de se encontrar intimidade entre deuses e eles gostam disso porque só pode ser deus quem sabe que é deus e deuses gostam de estar entre deuses e entre deuses que nem sabe que o são), imagine só se aquela mosca decide entrar na goela frouxa de seu interlocutor: prisão perpétua! Imaginem só ser tão esperta e tão sarcástica. Imaginem só leitores, ser leitores dessa sutileza que vos acusam disso que ela os elegeu. Ela ri enlouquecida. Imaginem se ela resolvesse escrever repetindo técnicas baratas. Leiam, porque ela pensou que precisava escrever.