14 de fev. de 2012

Maria

À Mahira Caixeta

troque teu nome e ouvirei
britadeiras no meu repouso
um cigarro de palha quando tinha
era
sede
de beber
todas as cores do teu sorriso.

13 de fev. de 2012

véspera

À Caroline Drummond

4 cores a parte
três planetas de marte
e carol
e carol
e caroline
stumblezine



verde



ao Lucas Schiavo

Os seus olhos naquela tarde
combinavam com a praça
da

liberdade






11 de fev. de 2012

mas agora, fernando


eu dizer dessa vida


deixa deixa deixa

te falar do desassosego em bom

English asshole:

é o cordão que só enrola a gente mesmo

é ser só

eu.

4 de fev. de 2012

casa macia,

para trocar as fronhas e me livrar de qualquer resquício do aroma
dessa nova mobília. os dedos erram os tatos, a máquina de levar está ligada
centrifuga
todo cheiro, todo sonho, toda palavra que não usei
para te convencer.

2 de fev. de 2012

Fim das Coisas

e assim, ela entrou no meu quarto, com duas caixas de leite Itambé e não me disse nada, só que eu os aceitassem. Quis dizer que tinha sentido, absolutamente todo o sentido o que ela não me dizia e que pedira

em silêncio

para que eu não dissesse; Poderia hoje citar Maiakóvski traduzido por Campos,

mas hoje é bruto. é assim como um dia de Ulisses que tentei jogar flores no infinito e esperar que ela voltasse.

a porta está aqui ainda.

1 de fev. de 2012

espírito banto

dessas ruas de cidade de belo horizonte

primeira prova: 1 baforada
teste de paciência: 5 livros par ajudar os viciados
teste de paciência: 8 ônibus no sentido quase contrário
teste de paciência: 2 baforadas
teste de paciência: _ eu acredito no seu trabalho, mas não conheço ninguém que fume crack

por enquanto,

teste de paciência: eu estou bem
teste de paciência: o cigarro cai no chão e a velha de verde me olha,

crente

teste de paciência: se fosse no rio teria vagão de ladies-fumantes

calma: a velha tosse nervosa,

a concordância contorna a rua e subo pra casa.

31 de jan. de 2012

Modo de tomar café

e você mastiga esses biscoitos:
croc croc croc
e eu te pergunto como come:
croc croc croc
e te pergunto como se faz:
croc croc
e te pergunto se gosta de bolachas maizena
croc

_ essa é de pedra.

28 de jan. de 2012

porta serrada



talvez agora, quem sabe, de repente, se pá
eu esqueça da porta fechada e do
cigarro
em que dentro do quarto te deixei dormir
com o único que havia guardado
para te dizer teu nome.




20 de jan. de 2012

suspeito

À Maeli

o olhar que me convida enquanto não me chama pelo nome, daqueles acordes descompassados, uma valsa aleatória marcada pelo seu piscar de olhos distantes que fitam o objeto e qualquer coisa antes do além dele - a ressaca dos olhos, você sabe - a bezerra boiando no copo de cerveja e alguma coisa que você desistiu de me dizer naquela hora após ter o intento interpelado por uma gargalhada da outra mesa. digo que tal olhar encontra o desenho que criei para os seus olhos, e digo não dizendo: é verdade, gostaria de conversar com você.

18 de jan. de 2012

Como se conta qualquer história,

aforismos das 04:21: "contar o final da piada não é bem "estragá-la", é alertar a pessoa de que, por alguma distração, ela possa vir a se esquecer de acompanhar sua graça." óóóóó

tradução das 04:31: clark kent, só agora entendi qual foi a tua, disseminar o bem do maior dos homens ao mais abobalhado dele. fiel como um cão. pqp!!!!!!!

ideia para o post do fb: sei lá.

ideia para um peça de teatro: "dionísio, se vc quiser mesmo entrar nas bascantes, vá ficar pelado no meio do público pra ver se o riso, pelo menos, de vergonha embranqueça os dentes pretos quase todos.

ideia para um ensaio: ficar discutindo ideias num tipo de punhetagem artística, e espero que o tal do Mark Zuckenberg não censure esse post, como fez em '"a origem do mundo'" que gerou muita raiva no brasil.

ideia para sei lá: qual era a música mesmo? sempre foi pixies: this monkeys gone to heaven assim como eu tenho um Soul na ponta dos meus pés, dos cigarros retorcidos pelo lixo, e ri quem quer, alto, baixo, mas ria como pomba-gira, que é o bem, que é o bem.

ideia para começar a ficar rica: bem, if the devel is sex, ten God is seven - that's all.

ideia para reconsiderar a ideia de evitar certos sermões: era isso.

ideia para se fazer uma fábula

ideia para uma viagem: retorno. :) - sorrisinho maroto.

ideia para se explicar uma piada: aforismos

ideia para todas as coisas: música.

ideia auto-explicativa: sei lá, ouve logo. E termine com um sorriso.

:)

Só isso.

E assim, a máquina do mundo, abriu-se e fechou-se e caminhei só lembrando do primeiro verso mais certo e o último mais meu.

16 de jan. de 2012

Modo de dormir sem medo.

percebo que é hora de realmente dormir quando começo a ouvir barulhos no meu quarto indicando que a janela ainda está aberta porque estou fumando e a luz ainda está acesa porque ando lendo e já é hoje o que pode ser dito hoje. mas há de haver o medo de baratas e só mais uma ouvida pra ver se localizo de onde elas vem.

26 de jul. de 2011

Nota sobre Maria.

Maria morreu durante essa madrugada. Ao longo dos seus sessenta e nove anos e cinco meses de vida, Maria teve três filhos: Pedro, Mateus e Arnaldo, e dois homens: José e Reinaldo. O primeiro, como todos sabem, foi aquele que fugiu e o segundo, como poucos percebiam, foi aquele que ficou.
Maria estudou pouco e nunca trabalhou fora. Mãe e esposa dedicada, passava o dia inteiro limpando a casa que nunca estava limpa. Esperava que os filhos fossem honestos e corretos, e eram. Todos trabalhavam e ajudavam em casa com algumas contas. Arrastava as pantufas, que ganhara de Arnaldo no penúltimo natal, pelos quatro cômodos da casa e, ao dormir, arrumava-as perto da cama. Não precisava de sapatos. Chegava a passar meses sem sair na rua. Não era dada as fofocas com vizinhas. Tinha três filhos pra criar e os criou. Quando precisava de alguma mistura pro almoço, avisava Reinaldo que sempre passava na venda e arrumava algumas batatas, cenouras e carne moída.
Nessa manhã a casa estava quieta. Só foram se dar conta que Maria morrera na hora do almoço, quando estavam todos com fome.

6 de jul. de 2011

cena estática.

No meio do meu quarto há uma lagartixa morta. Há uma lagartixa morta no meio do meu quarto. Morta, no meio do meu quarto, há uma lagartixa. Largatixa há, morta, no meio do meu quarto. No meu quarto, há uma largatixa meio morta. No meu meio, há um quarto de lagartixa morta. Há uma lagartixa no meio do meu quarto, morta. Há, no meio da morte, uma largatixa no meu quarto. Há um quarto de morte no meio da lagartixa.

A lagartixa permanece no meio do quarto, morta.