11 de jan. de 2015

Yeah you!

para todos os meus amigos que acredito ter

não vou pensar muito. as linhas vão seguir e vou me ler pra você: tenho nos dedos um cigarro de palha que não importa a marca. o que importa é a lembrança dos dentes quase meus quase dela. os sorrisos irritantes e o contorno da falta de paciência, por falar nela, o que importa é você que penso o tempo todo. Até mais, até mais cafés, chás, esmaltes de qualquer cor. Minhas unhas comidas - imagina o resto que meus dentes não chegou a ferir. O dedo e a ponta dele que aponto em mapas digitais. Digo agora: Espero: They don't love you like I do. Volto para meus amigos e digo que sempre estive por perto - persisto - como ele me disse e agarro isso tudo com a força de quem pensa muito e sempre, eu disse, sempre termina no mesmo lugar com uma unha a menos e um sorriso qualquer, que é pra você.

10 de jan. de 2015

breakfast at sex pistols

xadrez de plástico com imã
embaixo
explicaria os atos
de ontem
mas a rainha recusou
o chá e eu continuo
com café e uma
sacola
de
futuros
mei queimada
nos fundos.

Não ateio fogo
mas apago mal
a brasa do
almoço.

À noite é de todos
as cinzas e todos
os nós.

8 de jan. de 2015

I'm not in Paris

o que convém
é o meu rastro
é o gosto
do lápis
e o que ser
arranhado
garganta
de baixo
pra nada

Decora que fica
mais fácil
entender
o cheiro do
chá

Decora e entenda
que não falar
é som que sai
mais fácil

Decora tuas honras
medalhas e camisas
cuidadosamente
dobradas.


7 de jan. de 2015

Colores Cantada

Hoje estou querendo a cor
da sua camisa
blue

Hoje estou querendo
me apaixonar
rojas




Como era os círculos
dessa Terra
e eu correndo
na sua velocidade
estática até
que se aproxime
o meu medo
de eletrochoques
e buzinas
daí como se
não falasse nada
o espaço e o silêncio
as metáforas e as
línguas.

6 de jan. de 2015

Mazes

Para João Vítor

pro diabo você e suas escolhas
pro inferno esse jeito só seu
de se sentir bem,
pro diabo seu vinho e sua
embriaguez
pro diabo a tua raiva
teus cortes
teus raios
pro teu bem tuas
rimas
tuas anas,

Mas que te sintas bem
pro diabo
sou eu sem você
pro inferno essa falta
certa que vai me
comer nos primeiros
dias e depois, sabemos,
pro diabo isso que
não podemos ser.

Que seja a sorte
que rolem teus dedos
apontem de mim
ao norte
o que se retém
pelo nome.



De guarda

É claro que eu queria
que o dia viesse
que os pássaros
cantassem
que eu te visse
mexendo nesse
modo de se
comunicar
consigo
e é quase
como se
eu não
conseguisse
roubar

5 de jan. de 2015

Vá pra cá

Vai dizer que não posso dormir              
como se dormir é bom
é?

Não determina que não diz com
as mãos que são boas
foram?

Não estou falando de mim
o tempo todo
estou?

Fórmulas prontas dizem de
você como deu,
pensa.

Pode ser tarde demais
para perder o sono
pode ser?

Pensando aqui eu posso continuar na noite óbvia demais até
saber onde encontrar
o prumo
pensa?

foi o que vai fazer.


4 de jan. de 2015

punch down

I've done all I could
until I couldn't recall
what I've done before
I appear

Silêncio Cíclico

eu não sei o que dizem
do paiol que dizem
que faz mal que dizem
que dirigem esquecendo
do chão embaixo
do chinelo de dedo
e dos jogos de azar

eu não sei qual é
o melhor momento
para ler o poema

quero apontar sobre onde nunca fui
e sem graça levantar
removendo a poeira
dos meus ouvidos que
te ouvem dizer até o que
eu não sei.

2 de jan. de 2015

Blurry

sempre fui míope
sempre não
quase sempre
não vejo como vê, mas
veja aqui
eu enxergo devagar
com preguiça

Talvez acorde cedo
para ajudar nas louças
ela é tão bonita podando
as plantas com seu
cigarro

Pendurado no canto da boca
a paciência
nos lábios que beijam e ainda
dizem

a verdade que detesto ouvir, mas que são
meus óculos que sempre perco pela
manhã

31 de dez. de 2014

Mania Enraizada




eu vou tentar correr atrás do tempo
que disse não.
O contínuo se enrosca
tu cabellos
pela incerteza que não mira esse olhar atento até onde vai,
esse sinal que me manda seguir
horóscopos
de la misma

30 de dez. de 2014

Eu também já tentei ter uma espécie de coletivo

até que os sobressaltos disseram que era evidente que ele
não escreveria poesia pq haveria de melhorar em algo
e, sim, ele era o melhor
já os outros, todos se deram bem na vida:
uma publicou dois livros
outro foi pra Europa
eu ainda ofereço línguas
melhores do que todos viveram
ainda não sei se quero estar onde estou,
mas estou
aqui pensando em cada um deles e acho que o strike back
disso é que relemos e nos vemos de fora
como disse ao rapaz dos olhos mais livres que pude ver
mas o que queria dizer
é que estou pensando no melhor deles
que são todos
que eram o que fazíamos de melhor

Mas lemos Carlitos, Carlinhos, Cartas
e de cada um soube ver que o que importa é ser
forte o bastante pra ficar perto daqueles
que, ao seu modo, de usar ou ser usado,
saber conectar a força de um cavalo pedindo água e
ainda assim alisar sua crina.

29 de dez. de 2014

Cartão Postal da Lagoa da Pampulha

Liguei o ventilador no modo
que quis
aconselhei os três
sentados perto da lagoa
se fosse boa
bebia
pau e canoa
pra contar com quanta
cana se faz
um


28 de dez. de 2014

Se neste momento



À Denise Rodrigues

a persistência de certos sentimentos dói...
Amanhã brindaremos à impermanência de tudo
comento autoria?
responde polifonia
a coisa acontece safely
e prossigo
só seria
possível se o som
soasse como o descompasso
que inspira e solta
disfarçadamente
pela gap do que não me diz.

22 de dez. de 2014

Spotless (joga no google)

ao que me parece o google anda mudando meio rápido e eu também.
ao que parece meus pensamentos andam ficando muito rápidos e o seu também, ou talvez não.
o fato é que eu quis o ano inteiro te escrever um poema, que sempre julguei ruins, ou que alguém me convenceu que eram ruins, ou que eu mesma me convenci que são ruins.
mas isso é papo idiota, coisa de escritores egocentristas demais
mas o fato é que quero dizer cada vez menos, ser cada vez mais amena, cada vez mais suave.
o fato é que tentei o ano inteiro escrever um poema que dissesse algo bom, mas não rolou, sabe.
o poema é pra você.
que cantei no chuveiro.
o poema é pra ser bom, mas pode ser ruim também.
o poema pode ser o que quiser, o poema é ele mesmo.
mas ainda quero ser clara, muito clara, mas muito clara que o poema é pra você e não pra mim, mas é que a coisa é que eu e você o tempo todo de um jeito rápido demais.

José cometeu erros. Clara também. Mas podem viver bom momentos. E depois releio a merda toda e e eu tô te falando é que você me traz paz. E você me faz bem. Mas quero fazer bem.


Em todos os casos, polissêmicos, quero ser quem eu sou. e espero que seja como é no universo imaginário e a sorte da tranquilidade do seu riso.