1 de nov. de 2016

Mas nem sei,

À Morgana

como continuar a escrever
um e-mail perto da nossa
dor
que Deus
é Aquele que dá no céu
de quando você skate
eu já tô em casa
viro street inteiro
jogo video game e dô haduken
amanhã
é dia
dessa que é
aquela que você mais conhece de perto
agora me diz, Morgana, quem é essa mina?
mas a música não pára enquanto você não colocar
a Minas pra
sleep
tight
good-night
e acorda com ela que o trem é quente.

27 de out. de 2016

Still.

À Mô Ribeiro

Se as cores escrevem
o que pode sentir
hoje e talvez
na hora em quebra
e não diz nada entre as palavras
apartamento
apartamento
apartamento

Sai e veja se me espia
Sai e veja se tô no Maletta
Sai e veja

à noite as brigas ocorrem
meia
noite
eles voltam

Hora é questão de 9 horas.

Balada da Padaria

A vida é um sonho
que preciso
acordar
todos os dias
A vida está na padaria
a vida
estava
na esquina
A vida não é nada que vai passar
A vida
não está
pra lém
da zona leste de São Paulo.

26 de out. de 2016

Agora.

para que seja seja
please, don't cry
agora nessa hora que você
me diz que quer dizer
você me diz dessa forma
don't say agora
deixa eles pensarem
diga por você mesma sempre na
lateral
joga o poema pra

agora.

21 de out. de 2016

Distração

me fira quando for pra ferir, me seja o que for que ser. eu que penso, eu que nem sou, eu. Ouço a batalha das teclas como a folha que cismou em grudar no seu cabelo. Velo meu estrabismo que é para que você ria melhor nessa falta de jeito de segurar as pontas. o medo de baratas vem de quando em quando, mas continuo ouvindo o carro lá fora que não é o seu. sexta sempre me parece ótimo para seguir onde quando o ar me falta:
_ Vai dormir, você está cansado.

19 de out. de 2016

Outra Lullaby

à Dani com muito carinho,


quando eu ouço essa música sinto
vontade de chorar
para lembrar de onde vim,

mas, se ela soluçar, eu soluço também
hoje foi apenas um número
mas a gentileza da noite é trazer
olhinhos para fechar





Maiakóvski,

Como diria eu, como diria qualquer um
o golpe foi na canela
o golpe se liga e escraxa

Na suéca ruim do povo
Na coisa que não quer para

Não quer reeleger mais não quer,
e se fosse?

Frito na Vilma,
Frito no Scoobdoooo inteiro,

Só me ligo em quer dizer
Só te digo,

Mãe,

Que agora Elke já se foi
olha pra mim que não me aguento mais

9 é o número do Lennon,
o meu é 33.




17 de out. de 2016

Norte

toque as teclas
diga o que for
continue na linha.

Diga qualquer poema
diga rim
diga o que for

empacota, manda por sedex
diga o que mais você

âmago, o que for, deixa voltar
pra ver se fica simples entender
seja o que for

I don't care, I don't care

quatro vezes e a sorte
volta
Mais



30 de set. de 2016

Relógio. Gota. E os dois que caem deflagrando o
Soluço
Das coisas que prosseguem
Como um buraco no meio da testa
Como a cor branca no meio de nada que não cai
Mais a não ser
Daquilo que não
Sei
Que repete
Tempo e a natureza
Das mudas
Dos ventos
Das tuas coisas que agora
Se desfazem
No armário semi-aberto

8 de dez. de 2015

repriso

e repriso _ Não por dentro corpo e suas dimensões, mas exatamente no meio dessa noite recortando sombras, esperando vozes quando o que essas mãos poderiam fazer é afiar as lâminas do resto das horas.
e repriso _ Não pelo suor que escorre o resto de pele, mas pelas unhas que arranham as dobras que me cobrem enquanto contorno marcas que nivelam o desespero, o tempo, a persistência depois daquilo que não ficou.
e repriso _ Não pelo chamado oco, mas pelas cordas que prosseguem tensas, o volume da minha respiração que assusta quando suspendo o próximo segundo antes de reprisar:
_ Não pelo grito, não pela rua, não por ninguém, mas pelo o que não pode ouvir através da porta que mantém o que seria e encerra em suas extremidades o que não quero responder:
repriso.

6 de dez. de 2015

Quisera

Deixo pra depois
o toque que ainda
não decorei
e se essa noite infida
te falasse de tudo que sei
o que rompe aquilo que queria
e completa o
que decorei
e acaricia pelas horas
o que deixei
afora o teu nome
que te dei
e toda a minha fome
que me acompanha
pelas partes que deixei torta
diante do som que arranha
as margens que caminhei
pela curvas que borra
a poesia de ninguém
mas volto no ritmo
além
o movimento dos lábios
o som que desvia
Esse jeito que seria
eu só e o que faria
de mim mais de ninguém.




25 de nov. de 2015

Hoje senti que precisava escrever

Hoje senti que precisava escrever 
quando o mais natural era correr 
descalça 
da minha porta até a fresta do seu portão
de onde disseram morar
e aos berros
causar problemas entre os condôminos
provocar reuniões
multas
Estatutos
Pegar um táxi e voltar do mar até
o rio
pagar com um cartão onde
se leu aquele sobrenome
que a tua respiração engoliu
fazer ameaças de bomba
no último vôo 
antes do natal
ser notícia infame
no meio do meu jantar
em que teu gosto inflame
aquele outro mastigar
de noites;
É que preciso escrever
quando o mais natural
era perder o bom senso
era traspôr qualquer caminho
denso pelo início de você.

21 de jan. de 2015

Arrumar Malas

É bom colocar no fundo o que não será usado, volte que os fragmentos da viagem podem solicitar um movimento diferente dos joelhos. 
Na sequência do meio, obviamente, se coloca o que se pode julgar como mais importante, é o que está entre o não usado e a superfície que será amarrotada com essas indas e os pedaços que nos deixamos por aí. O que se estraga é a composição dos eventos. 
Eu pego na mão de quem me chama, os chinelos sempre ficam em sacolas plásticas, mas é importante não ignorar o fato que andar descalço pode causar bolhas, embora não importe.
A mala continua vazia, mas estou indo te ver.

19 de jan. de 2015

teorema climático

o problema não é você
o problema é sol que queima você
o problema é o forno que não assa pra você
o problema é o ar condicionado que entope pra você
o problema é a temperatura que não combina com o modo que você pensa
o problema que pensa do que penso de você.