30 de abr de 2008

Revolução das Formigas.

Nas rodelas displicentes do café trêmulo das manhãs ou naqueles tantos restos deixados no fundo do copo americano, com o açucar azedo a fazer mel pela impaciência de se mexer até o homogêneo, foi que provemos os tempos de glória da incansável sociedade que se formou entre os incontáveis azuleijos de um casa antiga com ares de manicômio quando esquizofrênicos eram simplesmente alienados. Havia aos olhos míopes rachaduras vetoriais que se enveredavam das fendas aos restos, do abandono ao abandono. Os farelos mofados na toalha da mesa que se moviam, sumiam e sempre estavam lá. Cada orifício improvável: tomadas, respiros e ventoinhas dos elétro-domésticos, fechaduras, etc. Foi tomado por meses em que a porta de entrada se fez saída apenas. Um dia notou-se verdadeiramente que a marcha ininterrupta não mais se desviava dos tamanhos colossais - diminuímos - e nos nivelamos às suas veredas despreocupadas. Mas há tempo ainda de regressar. Hoje ainda há aquelas que permanecem, mas por algum motivo perderam a fome, a fila, o rumo, a morte - .