27 de mar de 2017

Ballet de Cor

Ao Raphael Câmara

Ainda lembro
de tudo
do sorriso
da piada
do mundo
da Serra
do isqueiro
da fila
da fugida
no Casa
Antiga
do
Karaokê
da sua mãe
do seu carro
do por quê
de Cannes
do Relógio em
Santa Tereza
do copo deixado
com pressa
em cima da mesa
da testa
no sol
do Papa
do centro
do Galo
América
do que está
dentro
dos corredores
das
Letras
da biblioteca 
pouco frequentada
da ex-namorada
chata
das enroladas
do bolo
do domingo
perdido
da noite rápida
do silencioso
jogo de facas
das tantas
vacas magras

Agora vejo que em todas
moradas
você me cabe
você me é
afora o som
do teu rádio
afora o grito
adequado
você me faz
unissona
nas ondas
da nossa cidade
você me acerta
em meia dúzia de
verdade
você
não
termina
você
não
combina
em
desaparacer

Somos os que sempre voltamos
Somos o que sempre somos
somos três toneladas
de
sons

Linha contínua
que insiste
Luz retilínia
que incide

Voz que procede
Sede que cede
Corpo que pede
peso

Mão que nunca esquece

OUÇA

Um comentário:

paloma rodrigues disse...

O mais lindo que eu li,afortunado Raphael.